quinta-feira, 6 de maio de 2010

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Protocolo CML V Soc. Guilherme Cossoul

Este ano, a Câmara Municipal de Lisboa, o Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos e a Casa do Artista associaram-se para comemorar o Dia Mundial do Teatro, 27 de Março, com um almoço que reuniu os residentes da Casa do Artista, muitos actores e directores das companhias teatrais do concelho de Lisboa.

A cerimónia começou com a leitura da mensagem do Dia Mundial do Teatro, de Augusto Boal, pela actriz e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos, Carmen Santos.

Na ocasião, foi também assinado um protocolo entre a CML e a Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, que atribui a esta instituição o direito de utilização de um imóvel na Rua Professor Sousa da Câmara (em Campolide), conhecido como Palácio do Laguar, que, pelas suas características arquitectónicas e de área ocupacional, permite a adequação às necessidades inerentes à sua actividade cultural e social.

Trata-se, segundo o presidente da CML, “da resolução de um problema que há muito afectava aquela instituição, uma das mais antigas e produtivas associações culturais de Lisboa, que completa este ano 124 anos de actividade”.

António Costa esclareceu que foi intenção da Câmara assinalar este Dia do Teatro com “dois gestos simbólicos”: ir à Casa do Artista “homenagear todos os que fizeram e fazem o Teatro todos os dias” e formalizar a cedência de novas instalações à Associação Guilherme Cossul “para poder prosseguir o seu trabalho de formação e divulgação cultural e artística”, juntando nesse momento “o passado, o presente e o futuro do teatro”.

Na sua intervenção, o representante da S.I. Guilherme Cossoul, Carlos Casimiro, agradeceu a forma “digna e empenhada” como o actual executivo municipal resolveu “mais um dos problemas com que a cidade se confronta” e garantiu que, para além de prosseguir com as actividades de apoio e divulgação cultural, agora inicia-se “um novo ciclo” para esta associação: “abrir um espaço que perpetue o nome de Raúl Solnado, que nele nasceu”. “Raúl Solnado disse uma vez que a S.I. Guilherme Cossoul marcou a sua vida e agora é ele que marca a história da vida da Guilherme Cossoul porque este protocolo muito a ele se deve”, disse Carlos Casimiro, que também deixou um apelo público às empresas e instituições para ajudarem a associação a fazer as necessárias obras nas suas novas instalações.

A S.I. Guilherme Cossoul é uma das mais antigas associações culturais de Lisboa. Em 2009 completa 124 anos de actividade ininterrupta. Nasceu como Sociedade Filarmónica, mas veio mais tarde a tornar-se um motor essencial da emergência de novos talentos, sobretudo ao nível do moderno teatro português e da nova dramaturgia emergente em meados do século XX. A este período áureo estão ligados nomes incontornáveis da cultura popular portuguesa. Encenadores como José Viana, Artur Semedo, Rogério Paulo. Actores como Henrique Viana, Raul Solnado e Varela Silva. Cenógrafos como Bartolomeu Cid, João Vieira, Lima de Freitas e Rogério Ribeiro. Foi também uma colectividade com preocupações pedagógicas e culturais, que a tornaram célebre como ponto de encontro, de tertúlia e de tardes dançantes, com concursos musicais, concertos e festas de angariação de fundos.

Após o 25 de Abril, o teatro volta a assumir a primazia na Guilherme Cossoul, que se torna de novo uma incubadora de figuras de referência na cultura da cidade de Lisboa, como Carlos Paredes, Mário Alberto, Henrique Cayatte, Américo Silva (Artistas Unidos), Manuela Costa (CT Almada) e Luís Castanheira (Teatro Nacional S. Carlos).

Actualmente, as instalações da Guilherme Cossoul já se haviam tornado exíguas para acolher a diversidade de actividades, como o Teatro, a Música, a Literatura e as Artes Plásticas, ou para abrigar outras instituições e criadores que têm trabalhado em projectos de cooperação com esta associação. Após mais de um século de existência, a S. I. Guilherme Cossoul conta actualmente com mais de 500 associados efectivos e uma forte dinâmica associativa.

A mudança para novas instalações abre novas perspectivas à Guilherme Cossoul, permitindo-lhe relançar projectos essenciais na história de sucesso desta instituição, mas também abrir novos caminhos e ganhar uma nova dinâmica ao serviço da cultura na cidade de Lisboa. Trata-se de um equipamento cultural que, pelas provas dadas pela Guilherme Cossoul ao longo de mais de um século, constituirá uma mais-valia fundamental na zona de Lisboa onde se insere, e em particular na Freguesia de Campolide.

O Protocolo agora assinado prevê ainda a realização de futuros acordos com o Município, nos quais a Guilherme Cossoul se compromete a actividades nas áreas da sua competência designadamente escolas, instituições de terceira idade, a título gratuito.


27/03/2009

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